sábado, 9 de maio de 2015

DESERTO

    Sou deserto
    Um céu sem estrelas
    Um sol que queima sem razão...
    As lágrimas nem chegam a descer
    Secam antes de rolar
    Sou o que não vejo
    Para lá da linha do horizonte
    Não sou o ontem
    Não vivo o hoje
    Nem imagino o amanhã
    Sou tristeza
    Sem lua nem estrelas
    Sem mar
    As ondas desapareceram
    Existem estradas sem saída
    Flor que desistiu de crescer
    Nem erva daninha sou
    Falta-me a força para sobreviver
    Sou deserto árido
    Não distingo a noite do dia
    Tudo é cinzento e negro
    Tudo é melancolia
    (Cris Anvago)