terça-feira, 3 de janeiro de 2017



Serei muito pouco

se ignorar o muito

que existe dentro de mim!

A voz que grita

o sangue que dança

nas veias que se espreguiçam

num bailado sem fim.



A melodia cresce

e floresce nos lábios

que trauteiam a canção

repetida dias sem parar.



Sempre é preciso recomeçar!



Quando o dia amanhece

o espanto acontece

no segundo após acordar

nos lábios sedentos de mel

sempre com desejo de beijar

Um novo dia que nasce.

Abraçar os instantes

da vida que pulsa

Sem ignorar a beleza que me embala

serei muito pouco

quase nada…



Sempre é preciso recomeçar!



Não posso ignorar o grito profundo

vulcão que nasce

nem sei bem de onde

força e vontade

dar-lhe plena liberdade

para que floresça

e cresça

fora de mim!

Cris Anvago

Parada

Na sombra da escuridão

A lua brilha

O olhar não!

As estrelas

Escondem-se

Esperam

que alguém

lhes estenda a mão…

Penduradas no céu

vestem-se

nas noites frias

com o véu da neblina.

Parada

A sombra que não diz nada

Espera pelo sol

Para pulsar

Agitar o sangue morno

que habita

na dormência
da noite fria!


Escuridão…

a lua brilha?

NÃO!

Cris Anvago

Estou nos bastidores

Por detrás da lua

Aquele grande holofote

Que tu pensas ser só tua!

Que vês e admiras

E nem vês se as estrelas brilham

Se o seu movimento é discreto

Curvilíneo ou reto.



Estou nos bastidores

E vejo todos os espectadores

Uns interessados,

outros que pensam que são

muito melhor actores

Mais arrojados!

Que sonham em grande

Aparecer e brilhar na televisão!



O que vês no céu

Nesse palco enorme

Não é filme

É teatro que acontece

Não é igual, mas parece

Noite após noite



E quando o dia nasce

A lua discreta desaparece

Para que o astro brilhe

O dia nasce

Não se fecha o pano

Ilumina-se o olhar de uma maneira diferente…

Cris Anvago



Nas montanhas

Semeei pensamentos

para que ecoem

bem alto

Que se inspirem

nas nuvens que os tocam

leves

soltos

sejam

reflexão

que rolem

sejam inspiração

toquem o coração

de quem anda perdido

de si…

que sejam sonhos

por realizar

melodias

por inventar

amores

abraçados

bocas

que se querem beijar

silêncios

que gritem

bem perto do infinito

que as lágrimas

também evaporam

apesar da dor ficar

que sejam momentos

alegres

de um mar

por descobrir

veleiros

prontos a zarpar

viagens

dentro de nós

asas

para que possamos voar



Pega num pensamento que seja teu!

Que te reconforte

nem que seja por um momento

O pensamento semeado é teu!

Guarda-o, vive-o, recorda-o ou, deixa-o simplesmente voar…

Cris Anvago

Quero-te

Sem melancolia

Ou palavras banais

Palavras que lia

Nos livros normais

Agora sou mais exigente

Um livro para mim

É muito mais

que simples palavras

É gente!

Sentimento que exala o seu perfume

Em sentimentos

onde as palavras se embalam.



Quero-te

Muito mais do que o simples querer

Na manhã em que o nevoeiro cerrado

Parece um coração trancado

É ilusão, porque esse coração quer é viver!

Amar, mas aquele amar escancarado

Onde as palavras são mais do que o significado

Que pensas que são na tua primeira audição,

tens que sentir com todo o teu coração!



Quero-te

Sem preconceitos

E com todos os meus direitos

De te querer, amar e sentir

Sem possuir

Quero-te

De sorriso rasgado

Num corpo febril

Que espera por ti…



Quero-te em todas as estações

Sejam invernos ou verões

Não importa!

A minha porta está aberta

A minha poesia desperta

A melhor essência de mim

Por ti…



Quero-te pelo que és, pura essência, odor que se entranha em mim!

Cris Anvago

Desenrolei o novelo

Preso na garganta

Desprendi a palavra

Que dançava

Na ponta da faca

Deixei que o sangue fervesse

Nas veias

Que se expandiram

No espaço apertado

Onde se encontra

O sim e o não

Onde mora o talvez

A faca fica parada

Quieta

Sem nada!

A palavra

Pode ser palavrão

Quando não é controlada!

Descontrolam-se

As mãos que cavam

A terra endurecida

A vida pode ser

Faca

Que dança

Na corda

Que nos prende

Sufoca ou solta?

Cris Anvago



Na lua

Existe a imensidão da minha pele

Na tua



O brilho do olhar que não descansa



O sorriso

Que encanta



O mar nos poros

Que gritam

Expandem-se

No gemido que agita

As melodias que se dançam



Colados os corpos

São lembranças

De todos os dias

No rio onde as estrelas brilham



Envolve-se a lua

Com as estrelas

Que iluminam

A loucura de amar

Sempre mais…



Na lua existe a imensidão dos corpos que exaustos descansam…

Cris Anvago

Sou o sangue que corre aprisionado nas veias e nas artérias da vida

Sou o sangue que ferve e pulsa ao sentir-te

Embriaguez em mim

Tanta água no meu corpo

Mas não me consegue refrescar

Sou o sangue que bate forte

No coração desgovernado

Descompassado

Perdido por tanto te amar!

Cris Anvago

GAVETAS ABERTAS


Decidi…

Abrir as gavetas

Soltar as palavras

Embrulhadas em sentimentos de seda

Em panos rasgados

Lágrimas derramadas no passado

Sorrisos e risos de quem estava ao meu lado



Soltei as palavras

Para que partissem

E, numa outra dimensão florissem,

não preciso dessas palavras

desses momentos…

Fechei as gavetas

E fiquei só com os sentimentos…

Cris Anvago

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017



Tenho dores marcadas na pele

moram no meu coração.



Dores antigas, recentes,

que não saem da minha memória.

Tenho dores

que já fazem parte da minha história!



Tristezas que me acompanham,

lembranças que doem,

magoam e que não posso ignorar.



Dores que estão em mim

fazem-me crescer,

vieram para ficar.



Tenho calma, para acreditar,

que essas dores um dia irão amainar…



Acredito na minha força

e no poder que tenho para as suportar

Cris Anvago

Não me digas o que eu preciso.

preciso muito mais do que dizes.

Muito mais do que imagino

Muito mais do que sonho…

Preciso de tanto…

Mas nada se pode comprar,

Por isso é tudo mais difícil…



Quando pensas que tenho tudo

estás a delirar, pensas em coisas materiais.

Mas isso, para mim, é um pouco,

preciso de muito mais para viver!



Para sobreviver só preciso de dinheiro,

para viver preciso sim!!! De muito, mas muito mais!!!



De muitos abraços,

amigos, não de nome, amigos mesmo!

Admiro pessoas e tenho necessidade de ser reconhecida,

é verdade, pode ser vaidade minha, mas preciso desses afetos,

que parecem tão pouco, mas são tanto para mim!



Confio nas pessoas e gosto quando confiam em mim.

Só quero o bem para toda a gente,

Amor, saúde e um sorriso…

Aquele sorriso, difícil de florescer…



Amo a vida, o amor, o carinho,

Todos os momentos em que sou feliz,

por poucos que sejam, bastam-me,

alimentam-me e dão-me forças para continuar!



E sou feliz quando as pessoas à minha volta se sentem bem,

A minha felicidade completa-se com a felicidade de cada um!



Não me digas o que eu preciso!

Preciso sempre de muito mais do que imaginas!

Cris Anvago