sábado, 3 de dezembro de 2016


Quando te sinto
Naquela hora fora do tempo
Em que a chuva embala um lamento
Na tempestade que se anuncia
Com gotas pesadas de sofrimento

Quando te sinto
Naquele minuto que saltou
Do relógio que não notou
Que eu estava ausente da lua
Que a minha pele transbordou na tua
Entre o amor e a dor de te ver partir
Na chuva que não caiu
mas o vento acordou
o meu olhar que te seguiu

Quando te sinto
Naquela rua deserta
Mas tão completa de gente
que fala de forma incerta
Que ri sem cor no olhar
Que pensa que abraça
Mas finge abraçar
No medo de se revelar

Quando te sinto
Não sei sentir de outra forma
Sem ser aquela me renova
Na esperança de alcançar
O teu profundo olhar

Na voz vazia de medos
Tento entender os teus segredos
No sal das ondas do mar
Cris Anvago