sábado, 3 de dezembro de 2016


Não tentem aprisionar o meu grito que se estende para lá da linha do horizonte!
Já fui sereia, tubarão, golfinho que dança no mar e dancei em tantas histórias que ignorava sonhar.
Sou o grito do sonho e de um gesto que está por inventar, um movimento triangular que se solta na brisa do vento que sussurra as vírgulas dos lamentos que se perderam.
Já me aprisionaram a vontade de querer ser a pureza nos olhos de um anjo, atiraram-me flechas em palavras cobertas de mel para me confundirem.
Não perturbem a paz que tento alcançar nos murmúrios da multidão que me cerca e me tenta calar.
Solto-me num gigantesco salto na esperança de poder voar mais alto do que sonhei.
Não tentem aprisionar o meu grito!
Na voz das palavras o meu coração desnuda-se em melodias descompassadas, arritmias dos pensamentos que desmaiam no ventre do amor.
Nem tentem…
Cris Anvago