sexta-feira, 13 de março de 2015

INFÂNCIAS

    A brisa que acariciava os segredos
    Soltou-se e esvoaçou suave
    Perante obstáculos, muros e medos...
    Na chuva da tarde soltaram-se suspiros
    Coração que dispara na corrida
    Nos lamentos que se esvaíram no tempo
    Cortina de luz na vida
    Dança nas gotas
    Cascatas de sorrisos
    No “flash” de uma máquina antiga
    Ficaram gravados a preto e branco
    Pedaços pouco visíveis da infância
    Entre o vinil da música que entoava
    No gira-discos antigo
    Onde a agulha se esforçava
    Para não saltar as palavras cantadas
    Joelhos esfolados
    Com pensos rápidos enfeitados
    Escondiam-se os corpos atrás das árvores
    Nas brincadeiras onde todos se escondiam
    E na grande correriam esforçavam-se
    Por chegar primeiro á grande árvore
    O esforço era recompensado
    Corações acelerados
    Crianças que sorriam
    Assim muitas infâncias
    Num país cinzento enchiam os dias
    De gritos, medos e fantasias
    A brisa que acariciava os segredos
    No diário desvendados e fechados a cadeado
    Infâncias ao ar livre!
    (Cris Anvago)