segunda-feira, 2 de março de 2015

    Nas costas doloridas
    Cansadas de carregar o mundo
    O corpo que se desprende num segundo
    Lágrimas que secam
    Sal que se desprende nas carícias suaves...
    De um doce e feliz amor
    Coxas que se elevam no salto
    Transpõem muros de pedra em pedra
    Nas estradas que nos levam
    Ao infinito ou a um sítio seguro
    Quero a leveza das tuas carícias
    Movimentos de ondas
    Estrelas, espuma branca, preguiça
    Nos grãos de areia descansam e chamam
    Pelo teu nome que se afasta das marés
    Nas nuvens algodão branco que correm
    Suave é o céu no teu corpo hortelã
    Picantes os dedos que ambicionam
    O prazer gritante na garganta que seca
    Água que se esgota, límpida, cristalina
    Como a língua que se espalha no corpo delirante
    E a lua canta o segredo dos amantes
    O mundo desabou nas minhas costas
    Desintegrou-se nos carinhos dos teus olhos
    Ventanias que espalharam lírios em campos dispersos
    Sou segredos que chovem nos dias de sol
    Sou translúcida no sentir
    Imperceptível no meu, teu querer
    Se me decifras lês os meus encantos
    Que navegam nas ondas mais altas
    Dos oceanos que não se esgotam
    (Cris Anvago)