domingo, 6 de julho de 2014

ADORMECERAM AS PALAVRAS

As palavras deprimiram-se
Ficaram cinzentas
Adormeceram no papel branco
Recusam-se a caminhar
Paradas, dispensaram pontuações
Deitaram fora os acentos
Arrumaram as exclamações
Deitaram-se com as interrogações...
Permanecem mudas e quietas
Têm pena de si próprias
Todas as dores são delas
As palavras que não se mexem
Não constroem frases
Estão preguiçosas
Não querem ver o mar nem cheirar as flores
Deprimiram-se as palavras
Antes sorridentes e amorosas…
Que acordem as palavras e vivam!
Para que os sentimentos não adormeçam
Nem se deprimam!
(Cris Anvago)