terça-feira, 15 de março de 2016

Não atires para o ar palavras que desconheço
Vou deixá-las cair
Simplesmente porque não as sinto
Palavras têm que me dizer algo
Têm que se entranhar na minha pele
Acariciar-me o coração
Fazê-lo sorrir ou chorar
Despertar algum sentimento
Não atires metáforas sem sentido
Não vão melhorar o meu ser
Não vão ficar na minha memória
Vão ser migalhas esquecidas
Na noite sombria e fria
Sem razão para fazerem parte de mim
Fala-me de sentimentos que conheço
De razões, feridas, sonhos ou solidão
Desprezo, injustiça, sol ou escuridão
Pedras, facas, sonhos, vida!
Fala-me de algo que conheço
Dor, desespero, paixão e amor
Abraço sentido
Beijo profundo e vivido
Não me fales do abstracto
Fala-me do que é real
Que eu possa sentir na pele
Que fique retido em mim
Em toda a minha eternidade
Fala-me de ti
Fala-me de mim
Na forma como me sentes, sonhas, lês
Mesmo no silêncio
Consigo ouvir o teu coração que sente
As tuas veias que pulsam
Podes arquear as sobrancelhas
Em dúvidas nas estradas passageiras
Das mãos calejadas de longas jornadas
Vividas e sofridas
Fala-me de tudo o que não seja vazio
Fala-me da tua realidade com verdade!

Cris Anvago