segunda-feira, 14 de março de 2016

DESENHO ENQUANTO ESCREVO

Escrever é sonhar
Esconder-se entre as palavras
Que se querem soltar
Livres sem grades a aprisionar
Os pensamentos que vagueiam
Ora é um grão de areia
Numa qualquer praia deserta
Ou uma corrida desenfreada
Com desejo de chegar à meta
Vitoriosa gritar
Que o esforço foi enorme
Mas compensador
E vibram as palavras
Entre sorrisos e lágrimas
Querem ser lidas
Percebidas e amadas
Que as levem no peito
As guardem na mente
Que sejam a semente
Para grandes emoções
Alojam-se nos corações
Em abraços fortes e sinceros
As palavras têm asas e voam
Na paisagem branca
Que se transforma em tela
De amor, flor, aguarela
De um sentir tão grande
Homenagem singela
Ao sentir de quem ama
Sofre, chora, ri, vagueia
Entre a solidão, a noite e o dia
Entre a luta, o grito e a harmonia
Quem escreve
Desnuda-se por inteiro
Não é sentir passageiro
É alma que se entrega
E de cansaço, por vezes desmaia,
Entre a caneta que carrega
A sua dor, melancolia
Mas o que gosto mesmo é da palavra que ri
Que ama e que voa
Que passeia em ti
Palavra que não magoa
Escrever é ser
Tudo o que nem se imaginou existir dentro de si
Soltam-se as emoções
No papel já desbotado
Pela chuva da lágrima que cai
Por dor, alegria ou magia
Só pelo facto de existir
A complexidade aparece
A palavra…que não se esquece…

Cris Anvago