sábado, 10 de maio de 2014

SOFRIMENTO

Na garganta
Não escorrem as palavras que não foram ditas
Ficam presas
No nó do silêncio que aperta e sufoca
A luz do olhar
É noite escura que se esvai no nevoeiro da incerteza
Os dedos gelados
São estalagmites que ferem a pele, furam....
Gela na veia o sangue que não corre
Devagar, escorre sem chegar a nenhum lado
O sorriso torna-se mito
Não se sabe se alguma vez existiu
Face antes iluminada, fica apagada
Olhar fundo
Corpo curvado
Pés descalços que caminham sobre vidro
Coração que chora, nem sabe porquê
Monstros sem expressão
Assustam os sonhos inexistentes
Escorre no corpo a dor e o lamento
Grito, sem força, que tenta rasgar o silêncio
Agitar a alma em sofrimento!
(Cris Anvago) - Reflexões